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Primeira jornada, primeiro golo. Segunda jornada, segundo golo. Terceira jornada, primeiro jogo grande. Começo bem. O Sporting entra melhor. o Braga responde. De um lado, Acosta, João Pinto e Paulo Bento, do outro, os meus amigos Riva, Tiago e Edmilson.

Chove, está frio e algum vento. Penso em Tatabánya, tenho saudades. Chove ligeiramente. O campo está molhado, rápido, e a bola voa baixinho. Gosto do campo assim. O cajuda grita o tempo todo. Por vezes até me distrai. Chove. O Sporting adianta-se no marcador, Bimo, Binu, Bino, nem sei bem. Intervalo.

O Cajuda refila muito, fala do espírito guerreiro, do berço, da história e mais algumas coisas que não percebo bem. Ele fala esquisito. Pois, mas eu quero é ganhar. Recomeça o jogo e em três minutos damos a volta. Eu marco. O jogo fica rijo e já nem sei quantas vezes levo do Beto. Tenho o joelho inchado. R tenho saudades de casa. Muitas. Bola cá, bola lá, ninguém tem bola. Lembro-me do meu primeiro jogo, também chovia. Oitenta e oito minutos, Jorge Britez ganha a linha de fundo, centra da direita e eu… rosca.

A bola roda sobre si mesma —  irracional e imprevista — , como o mundo que insiste em alterar-se-inesperadamente-de-Tatabánya-para-o-Porto-do-Porto-para-Braga-e-de-lá-para-o-próximo-sitio. A bola roda e rebola nas mãos de Schmeichel. Golo. Golo. Dois golos. Três jogos, quatro golos. São golos. São adeptos por todo o lado. Agarram-me, abraçam-me,  amam-me, pelo menos até à próxima rosca.

O Sporting ainda reduz mas é tarde. É a nossa festa que dura até tarde. sou o novo herói, a vedeta, o menino-promessa-feito-jogador. As capas serão minhas,  amanhã. Choverá o dia todo, amanhã. Tatabánya continuará lá longe, amanhã. 

Nos 15 anos da morte de Miklós “Miki” Fehér


João Tibério

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