“Away Day! O Benfica em movimento”

Ponto prévio, nunca na vida será monótono ir ao Estádio da Luz, por muitas vezes que lá tenhamos ido, que continuemos a ir e das outras tantas idas que pedimos a Deus o futuro nos traga; mas um jogo fora da Luz por mais perto ou longe que seja (quanto mais longe melhor), é sempre um jogo envolto num ambiente completamente distinto, é a personificação da velha frase «ir atrás do Benfica para todo o lado»; seja por termos um pré-jogo diferente e mais longo, por nos aventurarmos por terras e estádios adversários, a verdade é que um away só por si, elimina qualquer cansaço que possa existir ao longo desse dia.


O dia começa mais cedo que o habitual, mesmo sabendo que é dia de missa ou seja … de ir ver o Benfica; a razão para isso é simples, a viagem hoje é bem mais longa que o habitual, para lá do Douro para ser mais exacto. Lavamos a geleira e enchemo-la de minis, acabamos de fazer o farnel para o dia e o mesmo segue para mochila, por fim agarramos no cachecol e vai tudo para o carro (incluindo nós), dou uma última vista de olhos a ver se o bilhete do jogo continua na carteira e arrancamos para ir atestar o depósito, ou hoje não fosse um … Away Day!


O ponto de encontro com o resto da malta estava marcado, e também à hora marcada lá estávamos todos, para onde era hoje??? Não importa, importa isso sim que era pelo Benfica.

A viagem lá começou, hoje são mais de 400 km (porque não somos de Lisboa), para não sermos apanhados só começamos “a destapar minis”, depois de passar as câmaras da portagem, o que vale é que são só 5 minutinhos de abstinência; daí para a frente começa todo um pré-jogo diferente, naturalmente que com as mesmas conversas de relembrar deslocações passadas, até porque a semana passada estivemos nos Açores e há (felizmente), tanto para recordar, prever onzes e convocados, esquemas tácticos, etc …: a diferença é que desta vez ao fim de uma hora e meia de viagem não estávamos ainda no local do jogo, tínhamos pelo menos mais duas horas e meia de viagem, importados com isso?

Nada mesmo, afinal de contas isto é viver o Benfica a dobrar, em tempo e conteúdo.
A viagem lá vai avançando sem que a gente dê por isso, estes momentos que só não lhes chamo de convívio, porque são demasiado bons para tal, são como se o tempo parasse ao longo daquelas horas, daí que quando chegamos ao fim da viagem seja um como que um misto de duas sensações, por um lado felizes porque estávamos outra vez a momentos de ver jogar o Benfica mais uma vez, mas também tristes porque aquela viagem tinha sido interrompida, mesmo que por 90 minutos apenas; mas pelo propósito maior como isso vale a pena.

Por entre farnel e cervejas tudo está de acordo com o manual dos jogos fora de um benfiquista, não podemos mesmo pedir mas do que isto para sermos felizes naquelas horas.
Agora mais desprendido do momento. Uma viagem destas encerra sempre alguma coisa complicada de descrever, mesmo sabendo que já fizemos tantas iguais e que a razão para a estarmos a fazer também não é nova. Mas acompanhar o Benfica nos jogos fora ganha uma dimensão especial, também que por uma razão difícil de descrever faz-nos disparar a adrenalina o facto de irmos para um local e estádio que nesse dia não são nossos, de nos sentirmos alheios aquele local, e de até muitas vezes sermos vistos como “inimigos”, como nos enche o espírito dar tudo e mais alguma coisa nestes momentos.

“faz-nos disparar a adrenalina”

É todo um dia que vive de uma sequência, desde o momento em que acordamos, até aquele em que já a altas horas da madrugada chegamos a casa; entre estes dois polos de um dia, tanta coisa que se passa, que passamos 15 dias á espera, o politicamente correcto não me permite dizer tudo o que acontece mesmo, até porque 10 páginas não chegariam; ou não estivéssemos nós a falar de jornadas que vivem também do momento insólito, do imprevisto, daqueles pedaços de histórias e aventuras, que não planeamos nem sonhamos, simplesmente acontecem com o desenrolar do momento, e sem que nada o faça prever, e como isso é refrescante e tão benfiquista, passamos uma viagem destas de sorriso na cara, esse sorriso aparece mesmo antes de partirmos; e não me posso esquecer claro daquelas “personagens” que estão sempre nestes momentos, sabemos que naquele dia e aquela hora tal como nós, eles vão estar ali. Isto é o Benfica em movimento …

 

“Isto é o Benfica em movimento …”

O Benfica leva-nos desde o momento em que nascemos, por uma viagem alucinante que só para no leito da morte, basta para isso dizer que não nos lembramos de não ser do Benfica. Esta última frase traduz na perfeição o sentimento que vivemos ao longo de um Away Day, é mais uma etapa desta viagem que teima em nos deixar apaixonados desta forma, e nem mesmo a probabilidade de ao fim de centenas de Km´s podermos nem sequer ganhar o jogo nos tira o ânimo, e mesmo tendo uma viagem de regresso, após um resultado mal conseguido é apoderada de um só pensamento, o de termos a certeza que dali a 15 dias voltaremos a fazer o mesmo pelo Benfica … SEMPRE!!!

 

António Vieira

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