“Bastião de Benfiquismo…”

Benfica é povo, Benfica é a singularidade do mais popular que pode existir! É estar perto estando longe, ao fim e ao cabo; mas a distância essa, não é emocional, pois onde quer que esteja um benfiquista está lá o Benfica também. A distância física essa sim pesa; e saber que a uns valentes milhares de Km´s está Lisboa e o nosso Estádio da Luz, só aumenta a dor na alma de não podermos estar sempre ao lado do Benfica; e como e emocionalmente essa distância nunca existirá, só mesmo quando os nossos heróis estão mesmo mesmo à nossa frente sem ser num ecrã, é que a nossa alma tem paz, amar também é isto, querer estar perto ao longe, e por vezes querer e não conseguir. Bem-vindos a um texto que pretende homenagear aqueles benfiquistas que vivem fora do país, porque a vida a isso levou … uns verdadeiros bastiões do Benfiquismo!

 

Surge a ideia deste tema, de uma conversa pelo natal, com um familiar meu que vive em Lausanne na Suíça há 17 anos; pois a primeira pergunta que me fez foi «Então primo como vai o nosso Benfica? Já viste estás quase a ir ver o jogo aos Açores, e ainda há um mês estavas em Munique …», senti nesta pergunta um tom de voz carregado e a gritar saudade; é incrível como estando tão longe de casa e da família, numa altura em que é mesmo a família que se celebra, que o Benfica tenha sido a primeira grande referência. Aqueles benfiquistas que por esse Mundo fora vivem e trabalham são a prova que os benfiquistas não podem ser catalogados, e que não é o facto de ir a mais ou menos jogos que mostra quem é mais benfiquista … isso não existe; até porque é mesmo na distância que se encontra a maior das devoções por avises, a quem a vida obrigou a fazer esta escolha, encontramos em cada caso uma pessoa com um amor sem fronteiras pelo Benfica, precisamente por ser capaz de suportar este peso de estar fisicamente longe do Benfica.

 

 

Um pequeno exemplo agora. Aquando do jogo da conquista do Tetra, e após o mesmo em especial, a festa era imensa, no dia que se seguiu tomei particular atenção ás reportagens que as Tv´s fizeram dos festejos pelo mundo, e quando reparo que em Newark nos EUA, os benfiquistas tinham literalmente cortado uma avenida dada a quantidade de gente ali presente, com colheres de pau a bater em tachos, trompetes, apitadelas de buzinas ritmadas; apenas me limitei a apreciar o amor por um clube, que nem um oceano pelo meio é capaz de fazer desvanecer.

Bem sei que o português é por normal alguém que não precisa de grandes razões para fazer uma festa, e quando estamos no estrangeiro, ter isso aliado ao sentido de comunidade, é algo incrível, ainda para mais quando estamos a falar de Benfica e daquilo que o rodeia; é uma forma mágica de combater a saudade já me disseram, essa de procurar aqueles que como nós nutrem esta coisa do «benfiquismo», para juntos e seja onde for, elevarmos a bandeira do nosso clube. Que nunca vos falte a força para ter essa vontade de celebrar a vida e o Benfica!

“é uma forma mágica de combater a saudade já me disseram”

Diz o hino «Sou do Benfica e isso me envaidece», pois bem, a mim muito me envaidece saber que por outras paragens há tantos milhares de benfiquistas com esta força e dinamismo, que de sorriso rasgado vivem seja de que forma for, cada jogo como se estivessem no estádio; e tenho para mim que cada benfiquista que como eu, vai regularmente ao estádio, carrega nos seus ombros a responsabilidade de não deixar mal representados aqueles que não podem lá estar; deve orgulhar-nos a todos nós ser de um clube com esta dimensão e mística.

“a mim muito me envaidece saber que por outras paragens há tantos milhares de benfiquistas com esta força”

Em meu nome e em nome de todos os benfiquistas, um obrigado do tamanho do mundo a estes verdadeiros bastiões de benfiquismo pelo globo; é merecedor da maior das vénias a vossa paixão e raça, a distância é grande mas daqui de Portugal, em Évora, a escrever neste teclado, termino este texto a dizer … Obrigado por serem o Benfica que tanto amamos! 

 

António Vieira

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