” Depois de Fejsa “

Ljubomir Fejsa é um dos melhores médios defensivos que passaram por Portugal nos últimos anos. Teve o árduo trabalho de ocupar o lugar de Matic, que tinha sido transferido para o Chelsea, mas cedo conquistou um lugar na equipa.

 

Desde aí, tornou-se num dos jogadores mais apreciados pelo povo benfiquista e, claro, pelos treinadores que tiveram a sorte de o ter nas suas trincheiras. Não é um homem que se aproxime da área adversária, mas quem não ficou emocionado quando marcou aquele golo à Académica??

Há algum tempo que Fejsa é um dos pilares da equipa e uma peça fundamental no momento defensivo do jogo, seja na ocupação de espaços, pressão ou contenção. É um jogador que, acima de tudo, sabe conter um ataque adversário, não entrando à queima, mas sim esperando pelo oponente e retirando-lhe espaço de acção.

Fejsa é um dos pilares da equipa

O sérvio foi um trinco puro, mas com o passar dos anos tornou-se em algo mais. Não é, claro, alguém que saiba conduzir um ataque como Pizzi, Krovinovic ou até mesmo Gedson, mas evoluiu bastante quando tem a bola nos pés.

 

Trago o nosso Gandalf à baila para discutir o seu futuro na equipa inicial, mas primeiro quero deixar bem claro: sou um fã incondicional do Fejsa e do seu futebol. Espero que por cá continue mais alguns anos.
Falo do seu futuro na equipa porque o futebol está sempre a mudar e cada vez mais todos os jogadores devem ser capazes de actuar em todas as zonas do terreno, ou seja, devem ter a técnica e a inteligência de nadar fora de água.

devem ter a técnica e a inteligência de nadar fora de água.

Olhemos, por exemplo, para Busquets, Fernandinho, Weigl ou, pegando num tuga, Rúben Neves, que está em altas. Todos eles são, na teoria, médios mais recuados, mas todos eles entendem o jogo como um todo e não se preocupam somente a defender. Busquets talvez seja dos que indiquei aquele que menos surge em terrenos avançados, mas sabe decidir em posse e colocar-se à disposição dos companheiros.
E será que temos alguém no Benfica que possa ser esse jogador? Actualmente, não temos. Samaris talvez seja o que mais se aproxima desse papel, já que na Grécia jogava mais adiantado, mas a sua história no clube deve acabar, no máximo, no final da época.

 

Depois temos Gabriel. Confesso que o brasileiro até me impressionou nos primeiros jogos, mas pelos vistos foi fogo de vista. Teoricamente até é um jogador que poderia fazer bem o papel, mas falta-lhe agilidade e velocidade de execução. E chegamos a Gedson.

O miúdo da formação é, para mim, aquele que podia desempenhar melhor a função. Tem técnica, inteligência e velocidade com e sem bola. Falta-lhe músculo, sim, mas tem garra, o que podia disfarçar o facto de não ser muito forte fisicamente. Um meio-campo constituído por Gedson, Krovinovic e Pizzi, jogando em 4-3-3, seria muito equilibrado, adicionando ainda a ajuda dos extremos. Em 4-4-2, poderíamos ter Gedson, Krovinovic, Zivkovic e Rafa, com os extremos e o avançado recuado a baixar quando necessário. São opções que nos dariam mais critério, mas requerem, obviamente, muito treino. Fejsa seria útil em jogos mais específicos, como é caso das competições europeias. Ter vários planos de jogo, todos tendo como base uma equipa que goste de ter a posse de bola, só será possível com um treinador que tenha essa visão e Lage, creio, é treinador para tal.

 

@luisvpgomes

 

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