” Pelos olhos Dele “

 

Pelos olhos Dele, o Benfica foi Campeão Europeu, o Benfica ganhava tudo, o Benfica dominava, o Benfica era o Benfica e bastava isso. Relata vezes sem conta como, ainda criança, ia para o único lugar da terra que tinha um rádio onde dava os relatos, onde imaginava certamente a magia que o Benfica dos anos 60 espalhava no campo, mesmo sem o poder ver.

“a magia que o Benfica dos anos 60 espalhava no campo”

Pelos olhos Dele, o Benfica foi tudo. Foi a mística, foi uma força maior, foi um escape, foram histórias, foi uma vida. Ele nunca me o disse, nem precisava. Vejo nos olhos Dele. Apesar de já lá irem 50 anos de sócio, ele não o é desde que nasceu, foi porque assim o fizeram (pela mão do Padrinho), mas acredito que o Benfica lhe está no sangue desde sempre.

“foi um escape, foram histórias, foi uma vida”

Pelos olhos Dele eu vejo, sem ter estado presente, o golo do Vata, vejo “aquela” jogada do Eusébio “naquele” derby (ou incontáveis). Pelos olhos Dele aprendi a ver o Benfica como vejo hoje.

“Pelos olhos Dele aprendi a ver o Benfica”

O amor pelo Benfica nasceu comigo, está-me no sangue, tal como no dele. E nos olhos dele continuo a ver a emoção e a mística que qualquer um de nós sente e não consegue explicar…

“mística que qualquer um de nós sente”

De aprender a ver e a amar o Benfica pelos olhos Dele, passei a ir pela mão Dele, acompanhá-lo para todo o lado. Como o tempo vieram algumas pequenas loucuras que nos permitem hoje ter umas quantas histórias com o Benfica.

Era sempre dia sagrado, e no dia seguinte era de orgulho “Estive lá ontem!”. Não me lembro ao certo da primeira vez que ele me pegou pela mão e me levou. Não precisou nunca explicar o que era, nem o que sentia. Ambos sabíamos. Chegávamos, sentava-me ao lado dele, nada de idas à casa-de-banho “Vens para ver a bola”. E assim era, do início ao fim, aprendi com ele.

Contava-me (e conta) as inúmeras histórias das noites europeias, das deslocações às Antas e das horas intermináveis de viagem de comboio… Conta-me com orgulho como ia sozinho, por Amor.

Pelos olhos Dele, sei hoje o que é a Mística. Sei o que é sentir um amor maior sem explicação, e a tentar viver mais ou menos bem com isso. Nem sempre foi fácil, mas pelos olhos Dele era muito mais simples.

“Pelos olhos Dele, sei hoje o que é a Mística”

Quando ele me começou a levar, certamente não contava que o amor crescesse… Bom era um pouco óbvio… Cresci na Luz no final dos anos 90 e início de milénio, ver aquele Benfica não era fácil, mas foi certamente melhor pelos olhos Dele. Afinal de contas, o Benfica segundo ele era muito mais do que íamos vendo. E tinha razão.

Volvidos quase 25 anos, ainda vou pela mão dele, e ainda tento aprender alguma coisa pelos olhos Dele. É uma aprendizagem constante, é o passar de testemunho. Cada vez que vou e Ele não, sinto o peso nos ombros: “Será que ele ficaria orgulhoso de mim?”.

“É uma aprendizagem constante, é o passar de testemunho.”

Ele não sabe, mas passou-me o mais lindo de todos os amores, o amor ao Benfica, e por isso lhe estarei eternamente grata.

Infelizmente, tivemos na vida certos entraves que nos privaram de ter mais momentos de Benfica. Mas sei, e ele também, que no jogo do Tetracampeonato em que lhe pude retribuir todas as vezes que ele me levou, lhe dei o mais sentido abraço. Porque o Benfica é isto, mesmo ao fim de anos de benfiquismo, de décadas e realidades diferentes, pudemos juntos viver algo único enquanto benfiquistas. E vimos nos olhos um do outro, todas as horas, todas as viagens e todos os jogos que passámos juntos.

Eu vi pelos olhos Dele.

E naquele dia, não tenho dúvidas que ele viu pelos meus tudo o que me ensinou.

Obrigado Pai, por me levares pela mão e por me mostrares o Benfica pelos Teus olhos, que eu saiba um dia passar a mística, a paixão e o amor como tu me passaste a mim. Que eu saiba um dia honrar o teu legado, farei certamente o meu melhor a viver o Benfica!

 

@MSMag16

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